Os Lugares das Empregadas Domésticas no Cinema Brasileiro

Um estudo a partir das personagens secundárias

Ao longo da história do cinema brasileiro, empregadas domésticas fizeram parte de narrativas diversas, tanto  ficcionais  quanto  documentais. Nossa pesquisa de mestrado, realizada de 2020 a 2022 no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, busca explorar  os  papéis secundários, tendo em vista que são a maioria dos desempenhados por essas personagens, a fim de  observar  quais  lugares  as  empregadas  normalmente  ocupam  em  nossa cinematografia. Procuramos compreender as significações desses lugares, e sua relação com os espaços sócio-simbólicos desempenhados pelas personagens, bem como no que eles se relacionam com os papéis  sociais  exercidos  por  empregadas  domésticas  na  sociedade  brasileira.  Para  essas discussões nos apropriaremos dos conceitos de lugar e não lugar de Michel De Certeau (2014), e as noções de espaço de Henri Lefebvre (2000). Optamos por elencar filmes de  longa-metragem  ficcionais  lançados  após  2000  que  tenham  empregadas  domésticas secundárias, chegando ao corpus: Cronicamente inviável (Sérgio Bianchi, 2000), A partilha (Daniel Filho 2001), Trabalhar Cansa (Juliana Rojas e Marco Dutra, 2011), O som ao redor (Kleber Mendonça Filho, 2012), Casa Grande (Fellipe Gamarano Barbosa, 2015), Aquarius (Kleber Mendonça Filho, 2016) e Domingo (Clara Linhart, Fellipe Gamarano Barbosa, 2018). Acreditamos que o cinema seja uma via profícua para discussões, tendo em vista que os filmes selecionados buscam verossimilhança, relacionando-se com o imaginário, conceito discutido com base em Marc Ferro (1992), Denise Jodelet (2001) e Sandra Jatahy Pesavento (2012).